26.11.08
O SORRISO DA BORBOLETA
Sob o sol de agosto, o guerreiro descansou sua armadura e abriu a janela para a madrugada, em pleno Vale do Piranga. O apito da polícia e o cheiro dos caminhões acordou sua ressaca e ele se lembrou de despejar na pia a última cachaça de rolha.
Então saiu para o jardim de Palmeiras, antes que trocassem o piso lusitano e derrubassem o primeiro carramanchão e se lembrou do sorriso dela, adiantando a Primavera.
Nada de mais sagrado naquele Vale do que o desabrochar daqueles fonemas gravemente pronunciados, com o carisma das ninfas e o olhar firme das mulheres que amadurecem porque sabem amar com o coração.
Os livros abraçados com cuidado e o cabelo molhado à procura das notas azuis, antes da formatura, enquanto os professores se preparavam para o pacto em favor da paz nas escolas.
O guerreiro aprendeu com aquela borboleta a detestar a guerra e apressar a paz, celebrou os melhores temperos no alto do Morro, descobriu a importância de respeitar os inimigos, sentiu sua alma oxigenada pelo néctar dos Orixás!
Os dois nem se lembraram que novamente se vivia no antigo Concílio de Trento, e quebraram o jejum, naquele final de inverno, em uma pastelaria chinesa, enquanto as ciganas liam a sorte dos transeuntes, na entrada do calçadão.
No presente, há uma expectativa de formatura e muito amor no ar, e o passado é uma armadura manchada de sangue que não nos serve mais.
criado por padrezeluiz
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