crenças e religiões

análise de fatos e respostas a questionamentos e desafios espirituais

22.4.08

A GUARDIÃ DO BAIRRO PALMEIRAS

Aos 29 de abril do ano da graça de hum mil novecentos e oitenta e sete nascia o Anjo da Guarda de Palmeiras diante da catástrofe que se abateu sobre o bairro: as enchentes que deixaram em polvorosa toda a vizinhança prejudicando, inclusive, o comércio.

Os moradores se reuniram várias vezes, elaborando o estatuto que só foi registrado em julho daquele mesmo ano, sob a presidência do saudoso e querido Arnaud Lanna Filho, prestigiado só por gente do conceito, alguns ainda atuantes entre nós.

A Associação dos Moradores de Palmeiras não veio só resolver problemas, também revolucionou culturalmente nossa cidade, vale lembrar o ano de noventa e cinco, com a célebre comemoração do Centenário de Palmeiras!

Integrada à Escola Nossa Senhora Auxiliadora e a Comunidade Paroquial São Pedro, dentre outras entidades, conquistou muitos benefícios para a população mas também amargou derrotas, cujas conseqüências negativas são colhidas até hoje no trânsito de veículos, assistindo ao abandono do Pontilhão e da Estação Ferroviária, sem falar no trecho da linha férrea.

A defesa sagrada que os membros desta associação fazem em relação ao tráfego de veículos nas ruas centrais do Bairro marcou, recentemente, a reedição de uma batalha travada com êxito no governo Sette de Barros mostra que esta Guardiã não dorme e os palmeirenses “índios” sabem que a fé católica em nosso Vale do Piranga é sinônimo de harmonia e qualidade de vida.

O recente episódio que marcou por quase um ano a interdição da Cid Martins, logrou êxito com muito diálogo, sem uma palavra ofensiva da Associação. Mostrou a todos que o amor pelas grandes causas está acima de toda e qualquer discórdia.

criado por padrezeluiz    09:21:12 — Arquivado em: Sem categoria

9.4.08

PORQUE ACREITO NA RESSURREIÇÃO DOS MORTOS


Meu pai morreu num domingo de sol, depois do meu aniversário. Parada cardiovascular fulminante, depois de um tumor que ele julgava ser úlcera supurada.

Durante o velório nenhuma palavra me consolou senão a que um Ministro da Eucaristia proclamou, momentos antes da Missa de Corpo Presente:

“Naquele mesmo dia, vieram os saduceus que não acreditam em Ressurreição e o interrogaram:
-Mestre, Moisés disse que, se alguém morrer não tendo filhos, seu irmão casará com a mulher dele e suscitará descendência a seu irmão.

Ora, houve entre nós sete irmãos. O primeiro casou e morreu e, não tendo descendência, deixou a mulher a seu irmão.

A mesma coisa aconteceu com o segundo até o sétimo. Por fim morreu também a mulher.

Na ressurreição, de qual dos sete será ela mulher, visto que todos a possuíram?

Respondeu-lhes Jesus:
-Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. Na ressurreição nem as pessoas se casam e muito menos se dão em casamento, serão como anjos de Deus no céu.

E, quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus vos declarou?

‘Sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó!’

Ora, DEUS NÃO É DEUS DOS MORTOS, MAS DOS VIVOS!”(Mateus 22, 23-33)

Conheci o jovem DANIEL MARQUES, de quem me tornei amigo e aprendi muito com sua espiritualidade; em nenhum momento deixou-se levar pelo desespero, nem mesmo quando perdeu uma das pernas. Sua devoção pela Divina Misericórdia o levou às ondas do rádio, num testamento que os Grupos de Oração deviam levar a sério e dar continuidade.

Quando segurei suas mãos firmes, em nosso último encontro neste mundo, ele olhou dentro dos meus olhos e me disse;

-Paz, padre! Sempre… a Paz!

Fechou os olhos para este mundo, exatamente no dia em que completava 27 anos e deixou uma enormidade de amigos e protegidos em Ponte Nova.

Daniel acreditava na Ressurreição e sempre me ligava diretamente do Hospital, quando estava em Belo Horizonte, e tive um sonho na noite de sua morte; estávamos numa pensão simples, com muita gente de cor chegando de viagem, com seus travesseiros e seus embornais e, lá no centro do quarto, meu amigo Daniel, todo sorridente, arrumando a cama e acolhendo quem chegava!

Acredito que foi Deus mandando algum tipo de aviso sobre a nova função do meu amigo, ele sempre gostava de um abraço caloroso, só podia sobrar para ele o Ministério da Acolhida, no Reino dos Céus!

Termino justificando meu credo, sem direito a Pôncio Pilatos, citando as palavras de outro jovem, o Thalles, que se prepara para a Crisma em nossa Comunidade Paroquial;

“É o julgamento de tudo o que você fez na terra, o que se passou em toda sua vida. Eu acredito na Ressurreição, fazendo sua alma conhecer outros lados da vida que ela não presenciou em sua vida passada!”

criado por padrezeluiz    15:45:27 — Arquivado em: Sem categoria

4.4.08

SEMANA DA CIDADANIA: JUVENTUDE E EMPOBRECIMENTO

 

A Semana da Cidadania é realizada desde 1995 entre os dias 14 e 21 de abril, por iniciativa dos organismos que brotaram da Pastoral da Juventude.

Neste anos as moças e rapazes de bem nos convidam a dar continuidade ao tema da Campanha da Fraternidade “Escolhe pois a vida!”(Dt 30, 19) fazendo memória de D. Hélder Câmara, pequeno-grande Profeta que chegou ao prêmio Nobel da Paz na qualidade de bispo-vermelho, pelo seu engajamento junto aos excluídos.

“O único evangelho que muitas pessoas vão ler é o nosso exemplo de vida.”

“Quando eu dava pão aos pobres, era chamado de Santo. Quando perguntei por que os pobres não têm pão, fui chamado de comunista.”

O empobrecimento social vai além da situação de pobreza, é a soma da negação dos direitos básicos tais como direito à educação, cultura, moradia e primeiro emprego.

“O verdadeiro cristianismo rejeita a idéia de que uns nascem pobres e outros nascem ricos e (pior ainda!) que os pobres devem atribuir a sua pobreza à vontade de Deus!”

Como envolver a juventude num ato concreto de enfrentamento social em cada comunidade, diante do empobrecimento galopante?

“Bem-aventurados os jovens porque sonham e correm o risco de ver seus sonhos realizados.”

Olhando nossa história, podemos citar três eixos: o processo de colonização desde d. João VI, a escravidão/exploração de nossa gente desde a Princesa Izabel e o processo de industrialização acabando com nossas roças desde Juscelino Kubischek!

“Dar o máximo.
Trabalhar sempre com a alma.
E com toda a alma.
Quer se trate de conduzir às estrelas uma nave espacial ou fazer uma simples ponta de lápis.”

No campo, surgem as Escolas Famílias Agrícolas sem agrotóxicos, numa relação de respeito, parceria e cuidado com nossa Mãe Terra, sem falar nas nossas Águas!

E agora, d. Hélder?

Que alternativas teremos: Arregaçar as mangas ou ficar só na louvação?

Brigar pelas políticas públicas ou realizar encontros dominicais onde a gente se emociona e esquece da vida?

Organizar a Balada da Cidadania ou fazer a festa da democracia?

“O que é mais grave?

Relativizar o Absoluto ou absolutizar o relativo? “

criado por padrezeluiz    16:42:38 — Arquivado em: Sem categoria

2.4.08

O TERREIRO DA CONTRADIÇÃO: 100 ANOS DE UMBANDA

A maioria dos brasileiros acha que umbanda é coisa do demônio.

O fato é que no dia 15 de Novembro de 1908, exatos 19 anos após a Proclamação da República, baixou um caboclo “errado” numa sessão kardecista em Neves, São Gonçalo, território fluminense, e declarou:”-Se é preciso que eu tenha um nome, digam que sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois para mim não existirão caminhos fechados. Venho trazer a umbanda, uma religião que harmonizará as famílias e que há de perdurar até o final dos séculos.”

Quem recebeu a entidade “indesejada” foi um certo Zélio Fernandino de Moraes, moleque de 17 anos a caminho da Escola Naval.

Os fundadores achavam os rituais da macumba mais “estimulantes e dramáticos” do que as sessões de espiritismo, mas rejeitavam a matança de animais e incorporação de espíritos, aderindo à magia e ao culto de orixás africanos.

Mesmo identificados com as diretrizes do pequeno-grande Presidente Vargas, os umbandistas foram perseguidos durante o Estado Novo.

Na década de 1950, 1025 terreiros se assumiam de ascendência umbandista, contra 845 centros espíritas e apenas 1 terreiro de candomblé.

A reação dos contras começou nos púlpitos, comandada pelos católicos, até porque o Caboclo das Sete Encruzilhadas confessava-se ex-padre por nome Gabriel Malagrida, acusado de bruxaria e queimado na fogueira da Santa Inquisição! A essa cruzada somaram-se a imprensa e, nos tempos atuais, os canhões das igrejas neopentecostais.

Mesmo assim, na década de 1970 foram registrados 7627 terreiros de umbanda, 856 de candomblé e 202 centros espíritas.

Contudo, as baixas aumentaram e no censo de 2000 e apenas 432 mil brasileiros se declararam umbandistas, queda de 20% nas oferendas de marafas, charutos e farofas.

A maioria das pessoas chega à umbanda pelo sofrimento, há uma mistura com catolicismo popular, kardecismo e até práticas esotéricas, com direito a pajelança indígena e sem falar nos cultos afro-descendentes.

Com 100 anos de resistência no Brasil, a umbanda persegue seus maiores objetivos, desde sua criação nos tempos do marechal Deodoro da Fonseca: respeito e reconhecimento social.

criado por padrezeluiz    09:09:44 — Arquivado em: Sem categoria

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